Vale abre cofres para expansão
Vale reafirmou a investidores, em encontro recente no Canadá, que a expansão da Vale Base Metals (VBM) será bancada com recursos próprios e aportes de sócios, afastando a hipótese de abertura de capital.
- Em resumo: Meta é saltar de 382 mil para 700 mil t/ano de cobre até 2035, com capex de até US$ 2 bi anuais.
Autofinanciamento ancorado em baixa alavancagem
O CFO Marcelo Bacci destacou que a junior de metais básicos fechou 2025 com alavancagem de 0,4x e espaço para contrair dívida sem pressionar o balanço. Caso a produção ultrapasse as 700 mil toneladas, “a Vale e a Saudi Manara colocarão dinheiro”, garantiu o executivo. O plano oficial prevê capex de US$ 1,6 bi em 2026, subindo para US$ 2 bi a partir de 2027.
“A companhia tem hoje uma alavancagem muito baixa […] Vale e Manara ficariam felizes em financiar”, disse Bacci.
Mercado de cobre aquece com transição energética
O apetite da Vale surge em meio a projeções de escassez global de cobre. Relatório da International Energy Agency aponta que a demanda pode crescer 20% até 2030, puxada por veículos elétricos e data centers, segundo a Bloomberg Technology. Esse cenário sustenta a aposta da mineradora em projetos no Pará, Canadá e numa joint venture com a Glencore, além de prospecções greenfield no Chile e Peru.
A Vale estima que a divisão de metais básicos represente até 35% de seu EBITDA no longo prazo, ante 26% projetados para 2026. O Bradesco BBI vai além e calcula 38% de contribuição em 2031, mantendo preço-alvo de R$ 102 para VALE3.
Enquanto a ação negocia a 5x EV/EBITDA — abaixo dos múltiplos de Rio Tinto (6,5x) e BHP (6,9x) — analistas veem espaço para re-rating conforme a execução avance. Já para gestores que defendem a listagem, o IPO revelaria valor “oculto” da VBM. A companhia, porém, opta por diversificar além do minério de ferro sem diluir participação.
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Crédito da imagem: Divulgação / Vale