Prazo apertado impõe nova linha vermelha à busca por conteúdos gerados por IA
Advocacia-Geral da União (AGU) — Na última quarta-feira (1º/4), o órgão notificou o Google para remover dos resultados de pesquisa mais de 40 domínios que ofertam serviços de “nudificação” via inteligência artificial, técnica de deepfake que gera imagens íntimas falsas de pessoas reais.
- Em resumo: Google tem cinco dias para desindexar os links e criar filtros que bloqueiem a reaparição de sites similares.
Como a “nudificação” se popularizou e por que o Google entrou na mira
Segundo a pesquisa da FGV-Rio, termos como “nudify” ganharam volume na busca brasileira desde meados de 2023, alimentando um mercado paralelo de humilhação digital. A AGU argumenta que, ao listar essas páginas, o buscador facilita o acesso em massa a conteúdo ilícito. Relatórios internacionais alertam que 96% dos deepfakes sexuais são direcionados a mulheres. A tendência preocupa especialistas em cibersegurança; dados recentes da The Hacker News apontam crescimento anual de 900% em ferramentas de geração de imagens falsas.
“A disponibilidade/indexação dessas ferramentas e sites pelo buscador do Google (…) tem o condão de facilitar o acesso massivo”, diz a notificação da PNDD, braço da AGU.
Pressão global, precedentes legais e impacto corporativo
A ofensiva brasileira ecoa discussões em curso na União Europeia, onde o AI Act prevê multas de até € 30 milhões para plataformas que não mitiguem riscos de deepfake. Do lado corporativo, gigantes de nuvem já oferecem APIs de detecção de imagens sintéticas, auxiliando empresas a blindar marcas contra vazamentos reputacionais. A própria Alphabet, controladora do Google, declarou em resultados recentes que investe em verificadores de conteúdo gerado por IA, mas ainda não divulgou métricas públicas de eficácia.
O segmento de “AI content safety” pode movimentar US$ 3,2 bilhões até 2027, de acordo com projeções da Gartner, ressaltando que filtragem automática tende a virar diferencial competitivo. No Brasil, a notificação da AGU cria um precedente que poderá alcançar outros buscadores e redes sociais, alinhando-se ao Marco Civil da Internet e ao PL das Fake News em tramitação.
O que você acha? A pressão regulatória vai acelerar a adoção de filtros de IA nas plataformas? Para acompanhar os desdobramentos, visite nossa editoria de cibersegurança.
Crédito da imagem: Divulgação / AGU