Matriz limpa e hubs no Nordeste impulsionam a ambição nacional, mas custos e regras ainda travam o avanço
Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) – Recentemente, a entidade reforçou que o hidrogênio verde pode reposicionar o Brasil na cadeia de valor de siderurgia, fertilizantes e combustíveis, gerando investimentos bilionários e novos empregos qualificados.
- Em resumo: matriz elétrica 88% renovável, capacidade de produção em larga escala e hubs portuários tornam o país candidato natural a exportador.
Empregos, exportação e capital externo na mesa
Estudos citados pela ABIHV estimam que projetos de hidrogênio verde no Brasil podem atrair até US$ 200 bilhões em investimentos diretos na próxima década, com geração potencial de 1,8 milhão de empregos. A BloombergNEF calcula que a molécula pode responder por 20% da redução global de CO₂ necessária até 2050, deixando claro o apetite de capitais internacionais por países que ofereçam energia renovável barata.
“Para descarbonizar setores intensivos, o hidrogênio se posiciona como um vetor estratégico além da matriz elétrica”, ressalta Fernanda Delgado, presidente da ABIHV.
Os gargalos: infraestrutura, custo e demanda
Apesar das vantagens naturais, o avanço depende de regulamentação infralegal que defina garantias de origem, incentivos fiscais e metas de conteúdo local. Outro desafio é reduzir o custo do quilograma de H₂ verde de cerca de US$ 4,50 para a faixa de US$ 2, considerado viável pela International Energy Agency (IEA). O Brasil já soma mais de 10 GW em projetos de eletrólise anunciados – 6% do pipeline global –, mas precisará investir em dutos, armazenamento e linhas de transmissão para escalar a produção.
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Crédito da imagem: Divulgação / ABIHV