Gestora desafia estratégia e bônus milionário na maior rede de saúde do País
Squadra Investimentos enviou recentemente uma carta de 10 páginas à Hapvida, pedindo a revisão imediata do conselho de administração e a venda dos ativos no Sul e Sudeste – unidades absorvidas na compra da Notre Dame Intermédica em 2022.
- Em resumo: fundo quer desinvestimento regional e nova eleição com voto múltiplo já em 30 de abril.
Carta expõe falhas de integração e alerta para execução de turnaround
Ao detalhar “riscos de execução” no plano de recuperação, a Squadra ressalta que nenhuma métrica concreta foi apresentada até agora. A gestora cita, ainda, perda de 238 mil clientes em 2025 nas regiões mais ricas do País, enquanto a Agência Nacional de Saúde Suplementar registrou ganho setorial de 792 mil beneficiários no mesmo período – um descompasso que, segundo a Squadra, consolida a “drástica redução de valor” da companhia. Dados compilados pela Bloomberg mostram que papéis da Hapvida recuam 85% desde o IPO, contra alta de 120% do Ibovespa.
“Julgamos fundamental comparar o alto risco de execução do turnaround com o custo de oportunidade de um desinvestimento estratégico”, afirma o documento endereçado ao chairman Candido Pinheiro Koren de Lima e ao CEO Jorge Pinheiro.
Bônus de R$57 mi para 2026 é o 3º maior do Ibovespa
Outro ponto de atrito é a remuneração proposta para o conselho: R$57 milhões, cifra que representa cerca de 20% do lucro projetado para 2026 e só perde para Bradesco e Rede D’Or no índice. A Squadra, que detém 6,8% do capital (segunda maior posição atrás da família fundadora, com 39,3%), classifica o pacote como “desalinhado” com a situação financeira e propõe três novos conselheiros independentes – Tania Chocolat, Bruno Magalhães e Eduardo Parente – por meio de voto múltiplo.
Analistas ouvidos pelo mercado lembram que operadoras de saúde convivem com margens apertadas e forte necessidade de caixa para modernização de clínicas e hospitais. Um desinvestimento regional poderia reduzir alavancagem, hoje estimada em 2,8x Ebitda, além de simplificar a rede verticalizada, prática comum em consolidações globais do setor.
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Crédito da imagem: Divulgação / Hapvida