Investigação interna esbarra em lacunas de dados e prolonga incerteza
CVC Corp – Desde fevereiro de 2020, a maior operadora de turismo da América Latina tenta esclarecer distorções contábeis que somam R$ 362 milhões em seus balanços de 2018 e 2019, mas a apuração segue inconclusiva e mantém investidores em alerta.
- Em resumo: quatro anos depois, a empresa ainda não definiu se houve fraude nem identificou eventuais responsáveis.
Auditorias, escritórios e consultorias na linha de frente
Para rastrear cada lançamento suspeito, a CVC contratou ao menos duas big four de auditoria e escritórios de advocacia especializados em saneamento contábil, movimento comum em casos de alta exposição, segundo a Bloomberg Technology.
A companhia se debruça sobre duas perguntas: “Foi fraude? E quem é o autor?”, mas ainda não encontrou provas conclusivas.
Efeitos no caixa, governança e mercado de viagens
A incerteza impacta diretamente a governança: o conselho reforçou o comitê de auditoria, criou um canal dedicado a denúncias internas e revisou políticas de provisionamento. Analistas lembram que rombos contábeis prolongados costumam encarecer captações e pressionar ratings de crédito, cenário sensível para uma operadora que lida com margens estreitas e trabalha com alto volume de recebíveis de cartão.
Além disso, o setor de turismo corporativo passa por consolidação acelerada e avanço de plataformas digitais nativas. Competidores como Decolar e Hurb investem em inteligência de preço em nuvem e automação de reembolso, reduzindo custos operacionais. Sem respostas objetivas, a CVC corre o risco de ver seu múltiplo de valor/EBITDA ficar ainda mais descontado em relação a pares regionais, segundo dados compilados pela consultoria Alvarez & Marsal.
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Crédito da imagem: Divulgação / CVC Corp