Picos extremos colocam em xeque a lógica do mercado livre
Setor elétrico brasileiro – Num mesmo dia, o preço do megawatt-hora saltou de R$ 57 para R$ 1.611, um salto de 2.700%. A oscilação, que já se repete, redistribui ganhos bilionários, quebra comercializadoras e acende o alerta em Brasília sobre a fórmula que calcula o valor da energia.
- Em resumo: Algoritmo de precificação leva o MWh do piso ao teto em horas, criando vencedores e vítimas no mercado livre.
Algoritmo de formação de preço virou “montanha-russa”
Nos bastidores, geradores com capacidade descontratada, como AXIA Energia e Copel, surfam os picos de tarifa, enquanto usinas solares amargam prejuízos. Especialistas explicam que o Conditional Value at Risk (CVaR) — parâmetro que mede aversão a risco — ficou mais conservador após ajustes válidos desde 2025, elevando estruturalmente o teto. Segundo estimativa citada pela Bloomberg Technology, mudanças similares em outros mercados adicionam até 40% no custo final ao consumidor.
“Eu acho que perdeu-se a mão. O modelo de preços ficou completamente irracional, imprevisível”, disse o CEO da Electra Energy, Franklin Miguel.
Pressão atinge investidores, governo e transição renovável
A volatilidade coincide com a rápida expansão de eólicas e solares: hoje, renováveis já respondem por 92% da matriz, segundo dados do ONS. Esse excesso diurno vira déficit noturno, obrigando o despacho de termelétricas caras e emissoras. Para mitigar o descompasso, países como Austrália e Califórnia aceleram projetos de baterias de iones de lítio e leilões de demanda flexível — tecnologias que o Brasil ainda estuda.
Enquanto o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico debate correções, investidores temem impacto no valuation das companhias listadas e nas emissões de debêntures verdes. Analistas apontam que uma calibragem prematura pode desincentivar novos parques renováveis, mas deixar tudo como está mantém a “inflação silenciosa” denunciada por grandes consumidores industriais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Band