Pré-pagamento inédito expõe a nova disputa por cada gigabyte de DDR5 e HBM
Microsoft e Google — Gigantes da nuvem negociam, desde março, contratos de fornecimento de DDR5 e HBM com a SK Hynix que incluem piso de preço e pré-pagamento de até 30%, mecanismo raro no mercado de semicondutores. O acordo vale por três anos a partir de 2026 e pode movimentar dezenas de bilhões de dólares, indicando que o ciclo de alta nos chips de memória deve durar mais do que o previsto.
- Em resumo: hyperscalers aceitam pagar adiantado para garantir estoque de DRAM escassa.
Cláusula de piso de preço muda a lógica de um mercado volátil
De acordo com o jornal econômico sul-coreano Hankyung, a SK Hynix já acertou os detalhes finais com a Microsoft e mantém conversas paralelas com o Google — movimento semelhante ao que a Bloomberg Technology destaca em análises sobre cadeias de suprimentos. Além do pré-pagamento, o contrato estabelece um valor mínimo por chip, blindando os fabricantes contra quedas bruscas enquanto a demanda de IA pressiona a oferta.
“O grande diferencial é ver provedores de nuvem dispostos a depositar até 30% antes da entrega, algo inédito na indústria”, relatou uma fonte próxima às negociações ao Hankyung.
Efeito dominó: Samsung e Micron entram na corrida
A SK Hynix não está sozinha. A Micron fechou acordo semelhante no mês anterior, e Samsung já discute termos plurianuais com os mesmos compradores. Segundo a consultoria TrendForce, o trio concentra mais de 80% da produção global de DRAM, o que reforça o poder de barganha dos fornecedores em um momento em que preços spot de DDR4 saltaram de US$ 1,35 para US$ 13 entre março de 2024 e março de 2026 — alta superior a 860%.
Capacidade extra só em 2027: gargalo garante margens recordes
Enquanto isso, Samsung amplia seu campus de Pyeongtaek para HBM4 e SK Hynix acelera a planta M15X focada em HBM de última geração. Analistas da Meritz Securities projetam que a Samsung registre receita de 122 trilhões de wons no 1º trimestre de 2026, quase triplo do recorde de 2022, graças a margens turbinadas pelo novo modelo de contratos.
Impacto no consumidor: PCs e smartphones pagam a conta
Ao reservar lotes inteiros de produção para datacenters, os fabricantes limitam a oferta ao varejo. A chamada “regra do 3 para 1” — cada chip de IA consome a mesma capacidade de três chips de consumo — já levou a Micron a aposentar a submarca Crucial. Sem nova capacidade significativa antes de 2027, o preço de upgrades de memória em PCs, notebooks e servidores menores deve permanecer pressionado.
O que você acha? Será que outra tecnologia pode aliviar esse gargalo ou os consumidores ficarão reféns dos hyperscalers? Para mais análises sobre investimentos corporativos, acesse nossa editoria de Negócios e Inovação.
Crédito da imagem: Divulgação / SK Hynix