Estrutura corporativa romana pode ruir com dashboards em tempo real
Block – Recentemente, a fintech cofundada por Jack Dorsey dispensou 4 mil colaboradores (40 % da força de trabalho) e sinalizou que dashboards de inteligência artificial devem assumir tarefas antes atribuídas ao middle management, acelerando decisões e reduzindo camadas hierárquicas.
- Em resumo: IA passa a orquestrar projetos e comunicação interna, deixando gestores intermediários obsoletos.
Do exército romano ao algoritmo corporativo
A pirâmide de comando que domina as empresas desde as ferrovias dos anos 1840 tem raiz militar. Segundo Dorsey e o sócio da Sequoia Capital, Roelof Botha, a IA elimina o gargalo de informação que exigia múltiplas camadas de chefia. Estudos citados pela MIT Technology Review mostram que LLMs conseguem analisar repositórios inteiros de documentos, cruzar KPIs e sugerir rotas de ação em segundos.
“A rapidez ou lentidão com que as empresas se movem depende do fluxo de informações. Hierarquias dificultam esse fluxo.” – Jack Dorsey e Roelof Botha
Impacto para startups, gigantes e mercado de trabalho
Ferramentas como Microsoft Copilot, Google Gemini for Workspace e Salesforce Einstein 1 já oferecem integração nativa com e-mails, tickets e CRMs, criando o que Dorsey chama de company world model. Esse modelo pode se fundir ao customer world model, alinhando automaticamente backlog interno a feedbacks de usuários e removendo a figura do “tradutor” gerencial.
Para investidores, a mudança pressiona indicadores de produtividade por colaborador. A Block informa que, mesmo com 40 % menos funcionários, mantém o ritmo de lançamento de produtos financeiros digitais. O movimento ecoa casos como o da GitLab, que opera remote-first e publica decisões em um manual aberto, reduzindo chefias graças à automação em nuvem na AWS.
Reguladores trabalhistas dos EUA e da UE monitoram o fenômeno: projeções da OECD apontam que 27 % dos empregos administrativos podem ser parcial ou totalmente automatizados nesta década. Já consultorias de RH destacam que papéis focados em criatividade e relacionamento direto com o cliente tendem a ganhar relevância.
O que você acha? A inteligência artificial deve mesmo extinguir gerentes intermediários ou criará uma nova especialização? Para acompanhar outras análises sobre IA, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Block