Relatório acusa plataforma de vasculhar o navegador em busca de concorrentes
LinkedIn – A rede profissional, controlada pela Microsoft, foi citada em duas ações coletivas na Califórnia após ser acusada de usar um script para mapear mais de 6 000 extensões no Chrome, prática que teria ocorrido sem aviso claro aos usuários.
- Em resumo: processos pedem indenização e a suspensão imediata do escaneamento.
Script oculto e coleta de telemetria detalhada
Segundo o dossiê da associação Fairlinked e.V., o arquivo JavaScript embutido examina extensões ligadas a automação de contatos e ferramentas rivais de recrutamento, além de capturar dados de hardware e localização. A técnica, já observada em campanhas maliciosas descritas pelo The Hacker News, levanta dúvidas sobre transparência e finalidade.
“O LinkedIn construiu um castelo de cartas inteiramente baseado em invenção”, rebateu a companhia ao PCMag, alegando que a varredura serve para “manter a privacidade e a estabilidade do site”.
Risco regulatório pode ir além dos tribunais americanos
Caso a prática seja comprovada, especialistas alertam que o LinkedIn pode violar simultaneamente leis como CCPA (Califórnia) e GDPR (Europa), que exigem consentimento explícito para tratamento de dados que não sejam estritamente necessários ao serviço. Historicamente, big techs já pagaram multas bilionárias por rastreamento não autorizado — em 2022, a Meta destinou US$ 1,2 bilhão na Europa pelo mesmo tipo de infração.
A plataforma, que contabiliza mais de 930 milhões de membros, é peça-chave na estratégia de nuvem da Microsoft: gráficos do Azure consomem informações de engajamento para treinar modelos de recomendação e anúncios. Uma eventual limitação judicial pode afetar a precisão desses algoritmos, pressionando a receita de publicidade B2B, hoje estimada em US$ 5 bilhões anuais, de acordo com dados da Bloomberg.
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Crédito da imagem: Divulgação / LinkedIn