Pressão de dívidas pode forçar venda de ativos ou aporte bilionário
Oncoclínicas – No balanço anual divulgado em 9 de abril, a rede de tratamentos oncológicos revelou que seu índice de dívida líquida sobre Ebitda saltou para 3,5 vezes, situação que a própria administração classifica como “incerteza relevante” para a continuidade operacional.
- Em resumo: Alavancagem encosta no limite dos covenants e negociações com bancos seguem sem acordo.
- Em foco: Companhia admite risco de liquidez caso não haja reestruturação rápida.
Credores apertam covenants enquanto juro se mantém alto
A escalada da dívida ocorre no pior momento de custo de capital desde 2016. De acordo com dados compilados pela Bloomberg, o CDI acima de 10% encareceu a rolagem de passivos corporativos em todo o setor de saúde, levando bancos a exigir amortizações antecipadas e reforço de garantias.
A relação dívida líquida/Ebitda avançou de 2,6x para 3,5x — nível que encosta no teto contratual dos credores.
Estratégia de aquisições vira peso no caixa
Nos últimos três anos, a Oncoclínicas concluiu mais de dez incorporações regionais, financiadas majoritariamente por dívida e parte dos R$ 2,5 bilhões captados no IPO de 2021. Embora a expansão tenha elevado a receita bruta a patamares próximos de R$ 6 bilhões, analistas destacam que a integração lenta dos ativos comprados pressiona margens.
Especialistas do mercado de saúde lembram que concorrentes como Rede D’Or e Dasa optaram por emissões de ações para diluir alavancagem, enquanto a Oncoclínicas seguiu no modo M&A alavancado. Se a companhia não fechar um acordo para rever prazos e taxas, fontes próximas aos bancos não descartam a venda de participações em clínicas premium ou mesmo a entrada de um investidor estratégico para injetar capital.
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Crédito da imagem: Divulgação / Oncoclínicas