Auditoria da KPMG reabre números desde 2020 e coloca o IPO em xeque
Aegea Saneamento – A companhia de infraestrutura corre para divulgar o balanço anual após sucessivos adiamentos que já custaram o rebaixamento para grau especulativo e ampliaram a desvalorização dos seus bonds.
- Em resumo: Revisão contábil bilionária ameaça disparar cláusulas de default em debêntures e títulos internacionais.
Controvérsia contábil: bilhões em jogo
Fontes próximas ao processo afirmam que a Bloomberg acompanha o caso de perto porque a KPMG mudou o entendimento sobre reconhecimento de receita, provisões e juros de outorga, exigindo a reabertura dos demonstrativos desde 2020.
O impacto dessas revisões é na “casa dos bilhões”, mas trata-se de ajustes “puramente contábeis”, sem efeito caixa, segundo uma das fontes ouvidas pelo Brazil Journal.
Pressão do mercado e risco de cross-default
Ao mesmo tempo em que planeja um IPO, a Aegea viu a S&P e a Fitch rebaixarem sua nota para junk e fixarem 10 de abril como data-limite para o balanço. Caso o prazo não seja cumprido, debêntures de R$ 500 a 700 milhões podem vencer antecipadamente, acionando cláusulas de cross-default sobre os US$ 750 milhões em green bonds emitidos em setembro de 2023.
Os papéis com vencimento em 2036 já caíram de 92% para 70% do valor de face em menos de duas semanas, refletindo a incerteza. Apesar disso, a empresa mantém mais de R$ 5 bilhões em caixa e cogita quitar dívidas locais para conter o contágio no mercado externo.
Cenário do saneamento e próximos passos
O impasse ocorre num momento estratégico: além de disputar a privatização da Copasa, a Aegea é vista como peça-chave para atingir a meta de universalização do saneamento até 2033. Analistas lembram que o setor atraiu R$ 100 bilhões em investimentos privados desde o novo marco legal, mas depende de confiança contábil para acessar capital a custos competitivos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Aegea Saneamento