Fila recorde e brecha no auxílio-doença acendem alerta fiscal
INSS – Desde 2023, o número de novos benefícios subiu muito acima do ritmo demográfico, pressionando um gasto que já ultrapassou R$ 1,027 trilhão em 2025 e pode explodir em 2026.
- Em resumo: Concessões cresceram até 55% enquanto a fila de requerimentos dobrou para 3 milhões.
Atestmed turbina pedidos e fragiliza controles
Lançado para agilizar o auxílio-doença, o Atestmed eliminou a perícia presencial, bastando o envio de atestado particular. A estratégia reduziu o tempo de análise, mas também disparou a demanda: foram 4,1 milhões de benefícios por incapacidade em 2025, alta anual média de 27%. Relatório do Bloomberg aponta que programas semelhantes em outros países exigem auditoria digital contínua para conter abusos.
“Insuficiência de mecanismos de detecção de fraude e falta de análise de mérito […] pode levar à concessão indevida de benefícios”, alerta o Tribunal de Contas da União.
Impacto macro: gasto previdenciário já consome 13% do PIB
O avanço das concessões ocorre em paralelo ao aumento da fila – um passivo potencial estimado em bilhões. Para efeito de comparação, a OCDE calcula que seus membros destinam em média 7,7% do PIB às aposentadorias, enquanto o Brasil já compromete cerca de 13%. Caso o ritmo recente se mantenha, analistas estimam que o gasto adicional pode chegar a R$ 60 bilhões por ano após 2026, afetando a trajetória do arcabouço fiscal e elevando o custo da dívida pública.
O governo ajustou as regras em 2025, limitando o pagamento sem perícia a 30 dias. Entretanto, portarias subsequentes ampliaram o prazo para 90 dias, criando nova janela para risco moral. Especialistas em gestão previdenciária lembram que sistemas de analytics antifraude e integração com bases de renda podem reduzir até 40% dos gastos irregulares, segundo estudo da McKinsey sobre digitalização em seguridade.
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Crédito da imagem: Divulgação / Brazil Journal