Iniciativa amplia sinal digital em aldeias isoladas com tutoriais nativos
Brasil Antenado – O programa federal de distribuição gratuita de kits de TV digital registrou, recentemente, picos de crescimento de até 150% em localidades indígenas após adotar materiais explicativos nas próprias línguas dos povos atendidos.
- Em resumo: tutoriais em sete idiomas originários quebraram a barreira linguística e multiplicaram a procura pelos receptores.
Sete idiomas originários quebram barreiras de comunicação
A responsável pela operação, a EAF (Entidade Administradora da Faixa), validou conteúdos em Munduruku, Ingarikó, Xavante, Macuxi, Iny Rybè, Guarani e Akwê. O piloto no Norte rendeu adesões recordes: Jacareacanga (PA) saltou 150% e Uiramutã (RR) 124%. Movimentos semelhantes ganham força no Centro-Oeste e em Minas Gerais, onde o material em Akwê já circula. Estratégias de localização como essa são apontadas por especialistas da Bloomberg Technology como decisivas para acelerar a inclusão digital em áreas remotas.
“Quando traduzimos nossa comunicação para as línguas originárias, asseguramos que ninguém seja deixado para trás na transição para o futuro digital”, destacou a CEO da EAF, Gina Marques.
Migração digital e inclusão: próximos passos da EAF
Além da linguagem, a EAF aposta na infraestrutura: cada kit enviado às famílias inscritas no CadÚnico inclui receptor DVB-S2, conversor HDMI e antena parabólica em banda Ku – tecnologia que evita interferências do 5G na antiga banda C. Segundo o Ministério das Comunicações, restam perto de 4 milhões de domicílios a migrar para o sinal digital aberto, e a meta é concluir o processo antes do desligamento definitivo da faixa analógica em 2024.
O programa também avalia incorporar ferramentas de atendimento por voz em idiomas indígenas e parcerias com universidades federais para monitorar indicadores de adesão em tempo real, reforçando a governança de dados e a prestação de contas.
O que você acha? A tradução para línguas nativas deveria ser obrigatória em todas as políticas públicas de tecnologia? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / EAF