IA limpa, dinheiro novo e minerais raros: por que o Brasil voltou ao centro do tabuleiro industrial
Brasil – Ao abrir a Hannover Messe 2026, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou o país como pilar da descarbonização global e exigiu que futuras parcerias tecnológicas incluam transferência de know-how, não apenas compra de commodities.
- Em resumo: R$ 4,1 bilhões foram assegurados com o KfW para projetos verdes, enquanto Lula vinculou IA ética à proteção de empregos brasileiros.
Pacote bilionário reforça Fundo Clima e mobilidade elétrica
O BNDES assinou, na manhã seguinte ao discurso, duas cartas de intenção com o banco alemão KfW que somam R$ 4,1 bilhões (EUR 700 milhões). Desse total, R$ 2,94 bilhões capitalizam o Fundo Clima; outros R$ 1,17 bilhão financiam ônibus elétricos, baterias e infraestrutura de recarga. Segundo projeção da Bloomberg Technology, o mercado global de transporte sustentável deve ultrapassar US$ 1,2 trilhão até 2030, colocando o Brasil em rota de exportar soluções e não apenas matéria-prima.
“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, alertou Lula, pedindo que empresas “computem o impacto social” de cada algoritmo.
Minerais estratégicos e acordo Mercosul-UE aceleram corrida por fábricas locais
Detentor de cerca de 90 % da reserva mundial de nióbio e grande provedor de grafita e terras raras, o Brasil quer evitar o rótulo de fornecedor barato. Na feira, Lula condicionou concessões de lavra a plantas de processamento doméstico e linhas de montagem de chips, ímãs e baterias. A movimentação coincide com o Critical Raw Materials Act europeu, que mira fornecedores fora da Ásia para garantir segurança de suprimento.
Nos bastidores, diplomatas confirmaram que o acordo Mercosul-União Europeia deve entrar em vigor em menos de duas semanas, criando um mercado de 720 milhões de consumidores e PIB combinado de US$ 22 trilhões. Isso abre caminho para regras comuns de propriedade intelectual e facilita a criação de centros de pesquisa binacionais — ponto celebrado pelo ministro Márcio Elias Rosa, que destacou a Nova Indústria Brasil (NIB) como “porto seguro regulatório” para “smart factories” e 5G privado.
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Crédito da imagem: Divulgação / IT Forum