Infraestrutura hídrica vira alvo estratégico em plena escalada militar
Usinas de dessalinização – Em meio à recente intensificação do confronto entre Irã e Estados Unidos, instalações que garantem água potável a milhões de pessoas no Oriente Médio tornaram-se ponto crítico de mira, elevando o risco de colapso hídrico na região.
- Em resumo: ataques e ameaças já afetaram plantas no Irã, Bahrein e Kuwait, colocando até 90% do abastecimento de alguns países em xeque.
Capacidade bilionária sob risco
Entre 2006 e 2024, governos locais destinaram mais de US$ 50 bilhões à construção e modernização dessas plantas, segundo levantamento citado pela Bloomberg Technology. Atualmente, quase 5 mil unidades operam no Oriente Médio, produzindo 29 milhões m³/dia — volume que deve saltar para 41 milhões m³/dia até 2028.
“A média das usinas é hoje dez vezes maior que há 15 anos, e as maiores entregam 1 milhão m³/dia; perder uma delas impacta centenas de milhares de pessoas.” — Center for Strategic and International Studies
Clima extremo e centralização aumentam a vulnerabilidade
Tempestades mais intensas, ciclones e marés de algas, potencializados pelas mudanças climáticas, já provocaram semanas de paralisação em Omã e nos Emirados Árabes Unidos. Especialistas destacam que a osmose reversa consome de 3 a 10 kWh por metro cúbico, vínculo energético que explica a localização de 75% das plantas ao lado de usinas de geração — outra mira frequente em conflitos.
Projetos como a megaplanta Hassyan, em construção nos EAU, buscam mitigar riscos ao adotar energia solar de grande escala. Paralelamente, políticas de armazenamento estratégico, a exemplo do novo programa do Catar, sinalizam rota complementar para garantir 48 horas de reserva em caso de ataque ou falha elétrica.
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Crédito da imagem: Divulgação / MIT Technology Review