Mudança no comando financeiro sinaliza nova fase de disciplina de caixa
Azul – A companhia brasileira confirmou, na última semana, a contratação de Antonio Garcia, ex-CFO da Embraer, para substituir Alex Malfitani após 18 anos no cargo. A troca ocorre poucos meses depois da aérea encerrar o processo de Chapter 11, reduzir US$ 6,7 bi em dívidas e levantar R$ 5 bi em capital.
- Em resumo: Garcia assume para acelerar geração de caixa e manter alavancagem em 2,5x.
Bagagem de reestruturações robustas vai a bordo
Garcia conduziu, entre 2020 e 2023, o redesenho financeiro da Embraer diante da pandemia e do cancelamento da venda para a Boeing, experiência elogiada por analistas. Segundo a Bloomberg, casos semelhantes de “virada” corporativa tendem a reduzir em até 30% o risco-percepção de crédito em 24 meses.
“A experiência de Garcia na Embraer, uma de nossas parceiras mais importantes, lhe proporciona uma visão única do nosso negócio,” afirmou John Rodgerson, CEO da Azul.
Desafios de liquidez e o efeito dominó no mercado regional
Apesar do alívio inicial, o setor aéreo brasileiro ainda opera com margens comprimidas por combustíveis caros e câmbio volátil. Dados da IATA indicam que companhias latino-americanas precisarão cortar custos em até 12% para manter rentabilidade média global até 2025. Nesse contexto, manter a alavancagem em 2,5x é visto como essencial para a Azul voltar a crescer de forma sustentável.
A movimentação também interessa à Embraer: a recuperação da Azul pode destravar demanda por jatos E195-E2, segmento em que a fabricante detém mais de 65% do market share regional. Analistas da XP avaliam a probabilidade de retorno consistente da aérea em “6 a 7” numa escala até 10, mas ressaltam que o capital recém-captado oferece “pista suficiente” para ajustes estratégicos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Embraer