Investimentos em genética e controle climático aceleram a virada estratégica
Embrapa – A estatal de pesquisa agropecuária anunciou, na última semana, novos testes de variedades adaptadas ao clima tropical, passo considerado decisivo para que o Brasil rompa a dependência quase total de lúpulo importado.
- Em resumo: apenas 1% do lúpulo usado pelas cervejarias é nacional; meta é chegar a 15% até 2030.
Dependência externa custa US$ 60 milhões anuais
De acordo com estimativas do mercado, as cervejarias brasileiras desembolsam cerca de US$ 60 milhões ao ano em importações, principalmente da Alemanha e dos Estados Unidos. Essa fatura, atrelada ao câmbio, pressiona margens de gigantes como Ambev e Heineken, além de travar a expansão de centenas de microcervejarias.
Apenas 1% da planta usada pelas cervejarias nacionais cresce em solo brasileiro.
IoT no campo e estufas em altitude desafiam o clima
Para contornar a falta de invernos rigorosos, produtores estão instalando estufas com refrigeração ativa em regiões serranas de Santa Catarina e Minas Gerais. Sensores de umidade e IA ajustam a iluminação LED e a irrigação gota a gota, tecnologia semelhante à usada por vinícolas na Califórnia. Segundo dados da Associação Brasileira de Lúpulo, a produtividade desses módulos chega a 1.800 kg por hectare, contra 900 kg no método a céu aberto.
Além da infraestrutura high-tech, linhas de crédito do BNDES e um benefício fiscal estadual reduziram em 25% o payback dos investimentos, impulsionando cooperativas locais. A projeção, caso o cenário se confirme, é diminuir o custo final da saca de malte em até 4% e abrir espaço para rótulos premium com 100% de insumos brasileiros.
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