Microsoft limita armazenamento e deixa pesquisa nacional em xeque
Microsoft — A recente redução de 30 mil para 730 TB no OneDrive da Fiocruz mostrou, de forma abrupta, como a dependência de nuvens privadas pode travar projetos científicos brasileiros.
- Em resumo: Corte unilateral da big tech afeta Fiocruz, UFC e PUC-RS e reabre debate sobre soberania de dados.
Gigantes definem o jogo – e as regras podem mudar a qualquer momento
Especialistas alertam que, sem mecanismos robustos de governança, universidades e centros de pesquisa ficam sujeitos a ajustes comerciais ditados por fornecedores globais. Relatórios do Data Center Knowledge mostram que renegociações semelhantes ocorreram em outros países, sempre com impacto direto na continuidade de serviços críticos.
“As big techs operam como infraestrutura da economia dos dados. Quando uma instituição depende dessas plataformas sem governança, passa a não controlar as regras”, enfatiza o cientista de dados Ricardo Cappra.
Brasil corre atrás de autonomia com supercomputadores e novas políticas
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê investimento de até R$ 23 bilhões até 2028, incluindo cinco supercomputadores de alta performance. A capacidade somada, estimada em mais de 150 petaflops, poderia hospedar repositórios acadêmicos sensíveis e treinar modelos de IA localmente, reduzindo exposição a contratos externos.
Além disso, especialistas sugerem segmentar dados: pesquisas estratégicas em clusters nacionais, documentos administrativos em multicloud e conteúdos de menor sensibilidade em nuvens públicas. Governos como o do Uruguai, que hospeda 85 % de seus domínios educacionais em servidores próprios, servem de referência regional.
O que você acha? A ciência brasileira deve investir em infraestrutura própria ou reforçar acordos híbridos? Para mais detalhes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Microsoft