Gestora brasileira detalha riscos ocultos e o “antídoto” do mercado local
JGP Asset Management — Em apresentação recente, a casa carioca destrinchou o boom de crédito privado nos Estados Unidos, hoje estimado em US$ 3 trilhões, e afastou o fantasma de uma nova crise subprime ao comparar as estruturas de financiamento americanas com as brasileiras.
- Em resumo: A alavancagem é menor e as garantias são mais sólidas que em 2008, diz a JGP.
Por que US$ 3 tri ainda não viraram “bola de neve”
O private credit americano se concentra em operações de direct lending, geralmente lastreadas em fluxo de caixa e acompanhadas de covenants rigorosos. De acordo com uma nota do Bloomberg Intelligence, a taxa de inadimplência média do setor ficou em torno de 3% em 2023, longe dos dois dígitos vistos no colapso subprime.
“A ausência de securitização em massa limita o efeito dominó que detonou a crise de 2008”, disse Alexandre Muller, sócio da JGP, ao citar estimativas do Morgan Stanley sobre o volume de US$ 3 tri.
Diferentemente dos mortgage-backed securities que eram vendidos em cascata, o private credit permanece nos balanços de fundos especializados, reduzindo a pulverização de risco pelo sistema bancário tradicional.
O contraste com o Brasil: menos alavancagem, mais transparência
No mercado local, as debêntures incentivadas, os CRIs e CRAs já somam cerca de R$ 1,2 trilhão, segundo dados da Anbima. Entretanto, a marcação a mercado diária e a exigência de divulgação de prospectos ao regulador criam camadas extras de transparência que faltam em boa parte das estruturas americanas.
Ainda assim, a JGP alerta que o rápido avanço dos fundos de private credit estrangeiros em operações “middle market” no Brasil exige atenção a covenants e concentração setorial, sobretudo em infraestrutura de energia renovável.
O que você acha? O private credit pode se tornar um motor de crescimento ou um novo ponto de estresse? Para acompanhar mais análises de mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / JGP