Do pioneirismo na Franklin Templeton às lições para a nova geração de gestores
Mark Mobius — figura que personificou a aposta em países em desenvolvimento nas últimas quatro décadas — faleceu recentemente aos 89 anos, em Singapura, deixando um império de investimentos que já superou US$ 40 bilhões.
- Em resumo: o “Indiana Jones” dos emergentes transformou um fundo de US$ 100 milhões em referência mundial, superando o MSCI EM em 1,9 p.p. ao ano.
Campo, sola de sapato e retornos acima do índice
Com até 300 dias de viagem por ano, Mobius visitava fábricas, ministérios e startups para validar, in loco, as teses de investimento. Segundo dados compilados pela Bloomberg, entre 1989 e 2018 o Templeton Emerging Markets entregou rentabilidade média de 13,4% ao ano, comparável aos melhores hedge funds globais.
“Acredito em ir a campo e gastar sola de sapato. Prefiro ver com meus próprios olhos o que está acontecendo em uma empresa ou país.” — Mark Mobius
Por que o legado ainda move trilhões de dólares
Quando o gestor lançou seu portfólio em 1987, eram apenas seis mercados abertos a capital estrangeiro. Hoje, o universo de emergentes atende a mais de 25 nações, respondendo por cerca de 12% da capitalização global de ações, segundo a MSCI. Essa expansão foi catalisada por cases que Mobius destacou cedo — México pós-Nafta, Sudeste Asiático pós-crise de 1997 e China no pré-WTO — pavimentando fluxos que o Banco Mundial estima em US$ 1,1 trilhão em entradas líquidas de portfólio na última década.
Para analistas, sua abordagem bottom-up, combinada a governança ativa, antecipa o atual boom de estratégias ESG nos emergentes. Após deixar a Franklin Templeton, Mobius Capital Partners manteve esse foco, mostrando que há alpha em compor conselhos e pressionar por transparência.
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Crédito da imagem: Divulgação / Brazil Journal