Cálcio do parasita expõe alvo terapêutico inexplorado
USP – Pesquisadores brasileiros identificaram, em observações de imageamento ao vivo, o momento exato em que o Plasmodium falciparum utiliza picos de cálcio para romper hemácias, etapa que sustenta a infecção e abre caminho para drogas de ação inédita, segundo estudo divulgado recentemente.
- Em resumo: Sinal de cálcio rege a saída do parasita das hemácias e vira alvo promissor para novas terapias.
Cálcio: o gatilho silencioso da infecção
A doutoranda Rute Isabel Honorio monitorou culturas de P. falciparum com microscopia de alta velocidade e flagrou microestruturas que disparam a sobrecarga de cálcio segundos antes da ruptura celular, confirmando hipótese debatida em publicações da Nature.
“A saída do parasita depende de um pulso preciso de cálcio; bloquear esse gatilho pode interromper totalmente o ciclo da malária”, resumiu Honorio no podcast conduzido por Camila Pepe e Carolina Abelin.
IA acelera caça a moléculas que bloqueiam o pulso
O grupo avalia agora algoritmos de inteligência artificial para vasculhar bases químicas em busca de compostos capazes de quelar cálcio dentro do parasita, estratégia já explorada pela indústria farmacêutica para doenças raras, como relata a Wired. Ao incorporar aprendizado de máquina, o time planeja reduzir de 18 para 6 meses o ciclo de triagem in vitro.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, só em 2022 a malária causou 608 mil mortes; variantes resistentes à artemisinina avançam na África Oriental, elevando a urgência por terapias com novos mecanismos de ação. Para suprir ensaios em larga escala, a equipe negocia acesso ao cluster de 52 GPUs da USP, capaz de rodar até 1,2 milhão de simulações moleculares por dia.
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Crédito da imagem: Divulgação / MIT Technology Review Brasil