Gestoras veem na fábrica off-site o elo frágil da estratégia da construtora
Tenda – Recentemente, um bloco de gestoras intensificou a campanha para que a companhia encerre a Alea, sua unidade de casas industrializadas em wood frame, após anos de resultados negativos que já corroeram margens e ampliaram o endividamento.
- Em resumo: fundos querem que a Tenda liquide a Alea para estancar prejuízos recorrentes.
Perdas recorrentes acendem alerta de governança
Segundo fontes ouvidas pelo mercado, a Alea vem acumulando números vermelhos desde 2020, minando o fluxo de caixa da controladora. Em assembleia marcada para maio, as gestoras pretendem formalizar a proposta de descontinuidade, movimento semelhante ao que ocorreu com outras companhias recentemente, como analisou a Forbes Business Council ao discutir a pressão de investidores ativistas sobre negócios deficitários.
Gestoras se unem para pressionar a Tenda a descontinuar a Alea, subsidiária que atua no segmento off-site, com o sistema construtivo wood frame.
Por que o wood frame virou alvo de críticas?
A tecnologia aposta em painéis pré-fabricados de madeira para acelerar a entrega de unidades. Embora o modelo prometa reduzir o prazo de obras em até 40% e gerar menos resíduos, especialistas apontam que ainda há gargalos de escala, logística e crédito imobiliário acessível. A Alea, inaugurada em 2019 na planta de Jacareí (SP), tem capacidade de produzir até 10 mil casas por ano, mas opera a menos de 30% da capacidade, segundo relatórios setoriais.
No Brasil, a demanda potencial permanece alta – o déficit habitacional supera 5,8 milhões de moradias, de acordo com a Fundação João Pinheiro – porém o consumidor de baixa renda, público-alvo da Tenda, ainda depende fortemente de subsídios. Ao mesmo tempo, concorrentes como Tecverde (Grupo Dexco) e Brasil ao Cubo, apoiada pela Gerdau, vêm captando capital para ampliar linhas modulares, elevando a competição e a pressão por margens.
O que você acha? O fechamento da Alea resolveria o problema financeiro ou colocaria a Tenda atrás na corrida por construção industrializada? Para mais análises do setor, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Tenda