Credores reagem, mas sentença prioriza liquidez imediata da operadora em recuperação
BTG Pactual – Em decisão homologada na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a juíza Simone Gastesi Chevrand aprovou a oferta de R$ 4,5 bilhões pelos 27,2% que a Oi detém na V.tal, concedendo ao banco o controle total da maior rede neutra de fibra do país.
- Em resumo: BTG assume 100% da V.tal e fica proibido de lançar IPO pelos próximos 24 meses.
- Impacto: A injeção bilionária dá fôlego ao caixa da Oi em plena recuperação judicial.
Por que o valor abaixo do “mínimo” passou pelo crivo judicial?
A magistrada rejeitou o argumento dos credores, que calculavam valor mínimo de R$ 12,3 bilhões, afirmando que o ativo “deve ser precificado pelo mercado volátil que o rege”. Em operações semelhantes acompanhadas por Bloomberg Technology, cortes de preço visam acelerar liquidez quando a continuidade da companhia está em risco.
“Caso descumprida, [a cláusula de veto ao IPO] importará na obrigação da proponente de indenizar a recuperanda por 90% do lucro bruto obtido”, registra a sentença.
Proibição de IPO e multa bilionária: efeito cascata no mercado de fibra
O bloqueio de oferta pública por dois anos evita uma rápida realização de ganhos pelo BTG, mas também sinaliza que a V.tal deverá focar expansão orgânica. A rede já ultrapassa 20 milhões de homes passed e atende provedores regionais, telemedicina e edge computing. Segundo dados da consultoria Teleco, a infraestrutura neutra pode atingir 35 milhões de domicílios até 2028, colocando pressão sobre rivais como FiberCo e FiBrasil.
Para a Oi, os R$ 4,5 bilhões representam cerca de 25% do passivo de curto prazo listado em seu último balanço. Parte do montante deve ser destinado a salários atrasados e contratos de manutenção, evitando paralisações críticas na rede legada de cobre que ainda serve 14 milhões de linhas.
Especialistas avaliam que a movimentação reposiciona o BTG como player estratégico em telecom, ampliando o portfólio que já inclui ativos de data center e torres. Se a estratégia de consolidação avançar, o banco pode disputar projetos de FTTH regionais subsidiados pelo FUST, acelerando a digitalização em áreas remotas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Oi