Dispositivo espanhol acende debate sobre gestação artificial e transplantes
Fundación Carlos Simón – A equipe espanhola conseguiu, recentemente, preservar um útero humano funcional por 24 horas fora do corpo, usando a máquina batizada de “Mother”, criada para perfusão normotérmica do órgão.
- Em resumo: O experimento abre caminho para estudar o ciclo menstrual completo e otimizar fertilização in vitro.
Perfusão normotérmica ganha nova aplicação
Inspirada em sistemas que já prolongam a vida de fígados e corações destinados a transplante, a “Mother” replica coração, pulmões, rins e circulação por meio de bombas, oxigenadores e sensores que mantêm temperatura e pH constantes. Métodos similares, avaliados pela Wired, vêm estendendo a janela de viabilidade de órgãos de poucas horas para vários dias.
“Como prova de conceito, isso é impressionante”, avaliou Keren Ladin, especialista em bioética de transplantes da Tufts University.
O que vem depois de 24 horas de vida artificial
O objetivo imediato dos pesquisadores é sustentar o útero por 28 dias, tempo suficiente para acompanhar um ciclo menstrual completo e investigar distúrbios como endometriose e miomas. Se atingida, a marca superará os sete dias de perfusão já registrados para fígados e poderá aprimorar protocolos de fertilização in vitro, etapa em que 30 % das tentativas falham na fixação embrionária, segundo a Sociedade Europeia de Reprodução Humana.
Além de pesquisa, a tecnologia pode tornar viável o transplante de útero de doadores falecidos, reduzindo filas e riscos cirúrgicos para doadoras vivas. A longo prazo, o fundador Carlos Simón especula sobre gestações completas fora do corpo, o que atenderia pessoas sem útero funcional e casais com contraindicação médica para gravidez.
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Crédito da imagem: Divulgação / Fundación Carlos Simón