Empresa corre para provar lucro antes do IPO e corta projetos “secundários”
OpenAI mudou de rota recentemente, encerrando o gerador de vídeos Sora — pivô de um acordo de US$ 1 bilhão que previa TRANSMISSÃO no Disney+ e na Band — para priorizar produtos empresariais de alta demanda e menor custo computacional.
- Em resumo: o cancelamento do Sora marca a maior baixa no “cemitério” de iniciativas da companhia, que já soma modos NSFW, Instant Checkout e o modelo GPT-4o.
US$ 15 milhões ao dia não fecharam a conta
Segundo estimativas internas, a base de GPUs A100 necessárias aos vídeos 4K do Sora consumia energia e nuvem a ponto de custar cerca de US$ 15 mi diários, valor insustentável para uma empresa ainda sem lucro. Documentos vistos pela Bloomberg Technology indicam que a OpenAI quer reduzir em 40% o gasto por token antes de abrir capital.
“Tomaremos boas decisões e cometeremos alguns erros, mas aceitaremos o feedback e corrigiremos rápido”, escreveu Sam Altman no blog da OpenAI ao comentar o fim do Sora.
Concorrência acirrada e foco no enterprise
Enquanto a Anthropic conquista contratos com bancos e gigantes farmacêuticas, a OpenAI redireciona engenheiros para o GPT Store e para ferramentas de programação no Azure. Analistas da IDC calculam que o mercado de copilots corporativos deve saltar de US$ 6 bi em 2024 para US$ 35 bi em 2027, corroborando a guinada.
Além da disputa por receita, limitações regulatórias influenciaram cortes. O modo NSFW no ChatGPT esbarrou em diretrizes da FTC, e o Instant Checkout falhou em conversões três vezes menores que as do site do Walmart, conforme apuração da Wired. Já o modelo GPT-4o foi aposentado por “excessiva bajulação”, mas ilustra a estratégia de testes rápidos: lançar, medir engajamento e, se preciso, arquivar.
Especialistas lembram que “cemitérios” não são exclusividade da OpenAI — Google, Meta e Amazon também descartam produtos anualmente. O diferencial agora é o ritmo: em 18 meses, o laboratório de Sam Altman anunciou e suspendeu pelo menos quatro projetos públicos, sinalizando disciplina financeira inédita em seu histórico.
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Crédito da imagem: The Walt Disney Company/Divulgação