Automação e pressão por margem expõem setor a nova rodada de cortes
Oracle – A multinacional norte-americana figura no topo de uma lista de 54 empresas que, somente no primeiro trimestre de 2026, dispensaram 78.557 profissionais em todo o mundo, segundo a consultoria RationalFX. O volume sinaliza que a inteligência artificial não é apenas pauta de inovação, mas também de enxugamento agressivo de custos.
- Em resumo: 37,6 mil demissões foram atribuídas diretamente à adoção de IA e automação.
Cortes já superam ritmo de 2023
Os Estados Unidos concentram 59.510 desligamentos (76,7%), com Amazon, Block e Oracle entre as maiores responsáveis. A Oracle sozinha soma 25.254 cortes, quase um terço do total. Analistas lembram que, em 2023, o pico anual foi de aproximadamente 430 mil demissões; caso a tendência de 2026 se mantenha, o mercado poderá registrar 318 mil baixas antes de dezembro.
“No total, 37.638 demissões, quase metade do volume global, estão direta ou indiretamente ligadas à implementação de IA e à automação de processos.”
Efeito dominó: realocação global e salários menores
Além da América do Norte, a Austrália enfrenta 4.450 dispensas concentradas em WiseTech Global e Atlassian, todas ligadas à integração de IA. Na Europa, a pressão recai sobre setores de semicondutores e telecom, com a ams OSRAM encerrando 2 mil postos na Áustria e a ASML liberando 1.700 profissionais mesmo após resultados recordes. Já na Ásia, os cortes se pulverizam entre e-commerce, cibersegurança e criptoativos.
Especialistas da Gartner veem na migração para nuvens serverless e no uso de plataformas de IA generativa a principal alavanca de eficiência — mas alertam: parte da mão de obra pode ser recontratada em polos de menor custo, prática que redefine salários globais e aumenta a competição por vagas qualificadas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Record