Expansão hídrica traz alerta sobre demanda elétrica e clima
dessalinização — pilar de sobrevivência no Golfo, a técnica de retirar o sal da água do mar deve receber mais de US$ 25 bilhões em novos projetos até 2028, elevando a capacidade regional em 40% e pressionando redes elétricas já no limite.
- Em resumo: usinas como Ras Al-Khair, na Arábia Saudita, já produzem 1 milhão m³/dia e simbolizam a corrida para instalações ainda maiores.
Usinas gigantes mudam a escala do abastecimento
Há apenas 15 anos, o porte médio dessas plantas era dez vezes menor. Hoje, megaestruturas consomem até 2,4 GW para bombear, pressurizar e filtrar oceanos inteiros, segundo dados compilados pela Data Center Knowledge. O Catar, por exemplo, obtém 99% da água potável via dessalinização, tornando-se totalmente dependente da estabilidade das usinas costeiras.
A região abriga apenas 6% da população mundial, mas reúne mais de 27% das 17.910 instalações de dessalinização em operação no planeta.
Energia, clima e o efeito dominó global
A Agência Internacional de Energia projeta que o setor poderá adicionar 190 TWh ao consumo elétrico mundial até 2035—equivalente a 60 milhões de residências. Grande parte dessa expansão migrará de processos térmicos a gás para osmose reversa elétrica, impulsionando a demanda por fontes renováveis e, paradoxalmente, elevando a pegada de carbono se a matriz não acompanhar.
No Brasil, a estratégia é diferente: 1.068 sistemas já atendem comunidades isoladas do Semiárido, produzindo 4,2 milhões de litros diários. Embora modestas, essas unidades reforçam a segurança hídrica local e evitam o transporte de caminhões-pipa em regiões de difícil acesso.
O que você acha? A corrida por água doce vai acelerar a transição energética ou criar novos gargalos? Para mais análises de infraestrutura hídrica e energética, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / MIT Technology Review