Pressão de pais e professores acelera mudança na legislação educacional
Reino Unido — Sob forte pressão social, o governo trabalhista aceitou apoiar um projeto que transforma em lei a já ampla proibição de smartphones nas escolas britânicas, reforçando a tendência global de “salas de aula offline”.
- Em resumo: proposta ganhou o aval de Keir Starmer e pode abrir caminho para restringir também redes sociais a menores de 16 anos.
Por que legalizar algo que 90% das escolas já fazem?
A legislação oficializa diretrizes publicadas em fevereiro pelo Departamento de Educação e, segundo o The Verge, cria base jurídica para que gestores apliquem punições e recebam verbas para armazenar aparelhos com segurança.
“A maioria das escolas já proíbe celulares. O apoio financeiro para armários ou bolsas trancadas é o que realmente fará diferença”, ressaltou Pepe Di’Iasio, da Associação de Líderes de Escolas e Faculdades.
Impacto potencial nas big techs e nos indicadores de aprendizagem
Ao institucionalizar o banimento, o Reino Unido alinha-se a 114 países listados pela Unesco que já adotam medidas semelhantes. Relatórios da entidade apontam queda de até 25% na atenção em sala e aumento de casos de cyberbullying quando dispositivos ficam liberados.
Especialistas em políticas digitais lembram que o debate avança rapidamente para as plataformas. A Austrália, por exemplo, discute limitar o acesso a redes sociais para menores de 16 anos, movimento que pode ser replicado pelos britânicos. Caso a restrição se confirme, Meta, Snap e TikTok terão de revisar processos de verificação de idade e mecanismos de moderação para manter presença no mercado juvenil europeu — um público estimado em 4,5 milhões de usuários no UK, segundo dados da Ofcom.
Além dos aspectos pedagógicos, a medida toca a infraestrutura escolar: armários inteligentes custam em média £120 cada e exigem conectividade local. Gestores avaliam recorrer a fundos regionais ou parcerias público-privadas para cobrir o investimento, iniciativa semelhante ao programa de segurança digital que a Noruega implantou após registrar queda nos índices de leitura associada ao uso irrestrito de iPads.
O que você acha? A proibição deve avançar também sobre as redes sociais ou o problema está resolvido apenas com o veto ao smartphone? Para mais análises de políticas digitais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Keir Starmer