Com prazo apertado, governo quer publicar edital antes do período eleitoral
Governo Federal – Pressionado pelo calendário das urnas e pelo avanço de potências internacionais, Brasília trabalha para lançar, nos próximos meses, o primeiro leilão de hidrogênio de baixo carbono do País, oferecendo incentivos que somam R$ 18,3 bilhões.
- Em resumo: Edital deve sair ainda este ano e promete garantir demanda para produtores de hidrogênio verde (H₂V) na próxima década.
Como será a disputa que pode redefinir a matriz energética
Segundo interlocutores do Ministério de Minas e Energia, o certame seguirá o modelo “contrato por diferença”: quem oferecer o menor preço por quilo de H₂V receberá subsídio para cobrir a diferença em relação aos combustíveis fósseis. A fórmula já é usada na Europa e foi responsável por movimentar US$ 14 bilhões em compromissos no último leilão alemão, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
“Nosso objetivo é ancorar demanda doméstica para que o setor invista pesado em capacidade instalada”, comentou uma fonte que acompanha a minuta do decreto.
Potencial bilionário e gargalos de infraestrutura
A Agência Internacional de Energia projeta que o Brasil possa instalar até 5 GW de eletrólise até 2030, volume capaz de gerar 700 mil toneladas anuais de hidrogênio limpo. Ainda assim, especialistas alertam para a necessidade de ampliar linhas de transmissão e acelerar licenciamento ambiental nos portos do Nordeste, principais hubs pretendidos pelas empresas.
Parte dos R$ 18,3 bilhões virá de créditos tributários previstos no Projeto de Lei do Combustível do Futuro, enquanto outro montante virá de financiamentos do BNDES a juros subsidiados. Na ponta privada, gigantes como Eletrobras, Casa dos Ventos e a alemã Uniper já anunciaram estudos para plantas de H₂V de escala industrial, somando mais de US$ 20 bilhões em intenção de investimento.
A corrida global adiciona urgência: Estados Unidos oferecem crédito fiscal de até US$ 3/Kg via Inflation Reduction Act, e a União Europeia reservou € 13 bilhões para contratos de hidrogênio até 2030. Sem o leilão, alertam analistas, o Brasil corre o risco de ficar apenas como fornecedor de energia renovável bruta, perdendo valor agregado na cadeia.
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