Margens apertadas e incerteza regulatória testam o fôlego do setor
Emnify – A recente expansão das operadoras móveis virtuais focadas em Internet das Coisas mantém ritmo de dois dígitos no Brasil, mas executivos ouvidos no Fórum de Operadoras Inovadoras alertam que o ganho de escala vem acompanhado de pressão regulatória e custos crescentes.
- Em resumo: mercado de IoT cresceu mais de 15% no último ano, impulsionado por rastreamento, POS e telemetria.
- Nova versão do PGMC eleva custos contratuais e desencoraja a entrada de novas MVNOs.
Margens enxutas sob o novo PGMC
A atualização do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) foi o tema mais tenso do painel. Enquanto parte dos executivos vê espaço para adaptação, outros avaliam que as novas regras praticamente fecham a porta para autorizações futuras. Segundo debate, as renovações de contrato com operadoras móveis, geralmente a cada cinco anos, passaram a ser o principal risco operacional. Matéria do TechCrunch explica que margens inferiores a 5% não sustentam expansão em ecossistemas similares na Europa.
“Minha recomendação para quem quer ser um MVNO autorizado é não ser”, disparou Tomas Fuchs, CEO da Arqia.
eSIM e NTN: próximos vetores de escala
Apesar das incertezas, a adoção do eSIM finalmente ganha corpo nos terminais de pagamento: a Arqia já opera com quase 10% da base conectada via perfil digital. A Deutsche Telekom, presente no país desde 2017, soma experiência no setor automotivo, e a Emnify investe em infraestrutura SGP.32 para acelerar projetos massivos a partir de 2026.
Outra avenida promissora é o NTN, que combina satélite e 4G/5G para cobrir os 83% do território nacional ainda sem sinal móvel. Casos de uso em contêineres, agro e rodovias já operam em modo híbrido, embora o custo por megabyte continue muito acima do tráfego terrestre. Relatório da GSMA projeta que módulos prontos para NTN dobrarão até 2027, reduzindo o preço em até 40%.
Fora do radar do painel, mas relevante, grandes provedores de nuvem como AWS e Google Cloud vêm oferecendo APIs de gestão de dispositivos que podem empurrar as MVNOs para modelos as-a-Service, ampliando a disputa por valor no stack de IoT.
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Crédito da imagem: Divulgação / TeleSíntese