Pressão salarial cresce no coração da maior fábrica de chips da Samsung
Samsung Electronics — Na última quinta-feira, 23 de abril, 40 mil funcionários paralisaram parte do gigantesco complexo de semicondutores de Pyeongtaek, cobrando participação de 15% nos lucros gerados pelo boom da inteligência artificial.
- Em resumo: sindicato ameaça greve de 18 dias, com perdas estimadas em 1 trilhão de won por jornada.
Bônus travados x recorde de faturamento
Mesmo após projetar lucro operacional recorde de 57,2 trilhões de won no 1º trimestre, a Samsung ofereceu bônus limitados a 50% do salário anual e parte em ações restritas. Já a rival SK Hynix removeu tetos e elevou pagamentos depois de divulgar resultados igualmente históricos, segundo análise da Bloomberg Technology.
“Um engenheiro que ganha 76 milhões de won por ano levará apenas metade desse valor em bônus, enquanto seu par na SK Hynix recebe mais que o triplo”, detalhou o sindicato, que já representa 70% da força de trabalho sul-coreana da companhia.
Risco sistêmico para a cadeia global de memória
Samsung e SK Hynix juntas respondem por dois terços dos chips de memória do planeta — peças críticas para treinar modelos generativos e para servidores HBM usados por NVIDIA, AMD e grandes nuvens públicas. Uma paralisação prolongada em Pyeongtaek, onde ficam as linhas de 5 nm e 3 nm, poderia apertar ainda mais a oferta e inflacionar os custos de data centers voltados à IA, segundo estimativas da TrendForce.
Além de exigir o fim do teto de 50%, os trabalhadores pedem aumento de 7% no salário-base e maior transparência na fórmula de remuneração variável. A administração propôs repassar 10% do lucro operacional, mas sem retirar o limite — impasse que mantém a greve de 18 dias marcada para 21 de maio no radar do mercado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Samsung