Movimentação de barris dispara e testa logística costeira brasileira
Petrobras – A petroleira e seus distribuidores multiplicaram, recentemente, o vai-e-vem de navios entre os terminais de Santos, Paranaguá e Suape para suprir postos do Sudeste e conter a ameaça de prateleiras vazias, após um março de importações acima da média.
- Em resumo: Cabotagem de combustível subiu mais de 25% no mês, sinalizando receio de desabastecimento regional.
Picos de importação elevam aposta em estoques flutuantes
Dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo indicam que, só nas três primeiras semanas de março, chegaram ao país 1,1 milhão de m³ de gasolina, volume 18% superior ao de igual período de 2023. Parte desse excedente virou “estoque sobre água”, prática em que navios ficam ancorados até surgir janela de demanda nos terminais de destino, tendência detectada por analistas da Bloomberg.
“O mercado adotou a estratégia de shuttle entre portos para mitigar gargalos logísticos e aproveitar oscilações cambiais”, afirma um executivo de uma trading que atua no Brasil.
Consequências para preço, infraestrutura e dependência externa
A escalada da cabotagem revela uma fragilidade estrutural: as refinarias nacionais ainda cobrem pouco mais de 80% da necessidade interna. Com a parada programada da Refinaria de Duque de Caxias no segundo trimestre, consultorias como a Wood Mackenzie estimam que a importação possa atingir 40% do consumo em alguns estados. Além disso, a Petrobras avalia contratar navios adicionais com capacidade acima de 45 mil barris para reduzir o tempo de atracação e diluir custos operacionais.
Especialistas lembram que o Brasil paga um prêmio logístico médio de US$ 2 por barril frente aos EUA, reflexo de infraestrutura portuária limitada. Programas de modernização, como o BR do Mar, prometem aliviar parte do gargalo ao conceder incentivos fiscais a armadores nacionais, mas ainda dependem de regulamentação final.
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Crédito da imagem: Divulgação / NeoFeed