Bancos e governo correm contra o relógio para blindar dados sensíveis
CESAR e Banco do Brasil – Em um fórum realizado recentemente em Brasília, pesquisadores das duas instituições advertiram que a maturidade dos computadores quânticos, prevista para 2029, poderá tornar obsoletos os padrões de criptografia que hoje protegem contas bancárias, transações internacionais e comunicações corporativas.
- Em resumo: especialistas projetam que algoritmos RSA e ECC poderão ser quebrados em minutos quando o “Dia Q” chegar.
Algoritmos RSA e ECC entram na zona de perigo
Durante o evento “Defesa Cibernética na Era Quântica”, Ana Cláudia Ramos, do Banco do Brasil, explicou que o algoritmo de Shor conseguirá fatorar chaves RSA e curvas elípticas “em frações de tempo”, algo confirmado por análises do The Hacker News na esteira das recomendações do NIST para criptografia pós-quântica.
“Processos que levariam milênios na computação clássica serão resolvidos em frações de tempo”, alertou Ramos.
Migração “Quantum-Safe” exige força-tarefa técnica
Fábio Maia, pesquisador-chefe do CESAR, lembrou que quem “minimizar o problema” corre o risco de ver dados sigilosos já coletados hoje serem descriptografados daqui a poucos anos — técnica conhecida como HNDL (Harvest Now, Decrypt Later). A adoção de algoritmos resistentes, como CRYSTALS-Kyber e Dilithium, defendidos pelo NIST, requer inventariar sistemas legados, atualizar PKIs e treinar equipes em novas bibliotecas criptográficas.
O desafio se soma à escassez de profissionais: segundo levantamento da ISC², o déficit global de especialistas em segurança ultrapassa 4 milhões de vagas. Para o Banco do Brasil, que opera em múltiplos fusos regulatórios, o atraso na migração pode violar normas como a LGPD e futuras diretivas europeias que já discutem requisitos “post-quantum ready”.
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Crédito da imagem: Divulgação / Canaltech