Nomeação papal mira 1,4 bilhão de católicos na luta contra o aquecimento global
Vaticano – O Papa Leão XIV incluiu o climatologista brasileiro Carlos Nobre no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, criando um canal direto entre ciência e fé para amplificar o alerta da emergência climática.
- Em resumo: Voz científica chega ao alto escalão da Igreja para acelerar a transição energética mundial.
Conselho inédito liga ciência, fé e política climática
Formado por apenas onze especialistas, o grupo foi anunciado em 30 de março e ainda aguarda a primeira agenda oficial com o pontífice. A expectativa de Nobre é aproveitar o alcance global de 1,4 bilhão de fiéis para disseminar metas rígidas de corte de emissões, seguindo o apelo de encíclicas ambientais já elogiadas pela Bloomberg Green.
“Estamos, praticamente, atingindo 1,5 °C de aquecimento global. Esse era o limite do Acordo de Paris. A gente está correndo um enorme risco.” – Carlos Nobre
Painel científico quer viabilizar transição energética até 2030
Antes mesmo de embarcar para Roma, o pesquisador de 75 anos lança nesta semana, em Santa Marta (Colômbia), o Painel Científico para a Transição Energética Global. O fórum reunirá cerca de 30 especialistas – entre eles o economista Maurício Tolmasquim – para produzir um relatório a ser apresentado na COP 31, na Turquia.
O movimento repete o efeito da crise do petróleo dos anos 1970, que impulsionou o bioetanol no Brasil, mas agora em escala planetária: a instabilidade no Estreito de Ormuz e a guerra entre Estados Unidos e Irã elevam o custo do barril e pressionam governos a acelerar fontes renováveis. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, investimentos em solar e eólica superaram US$ 600 bilhões em 2025, salto de 30 % em dois anos.
“MIT da Amazônia” busca salvar o bioma e gerar inovação
Em paralelo, Nobre articula o AMIT, instituto pan-amazônico inspirado no MIT, para criar uma rede de laboratórios nos nove países da floresta. O plano cobre proteção ambiental, restauração de áreas degradadas e desenvolvimento de bioeconomia baseada na biodiversidade amazônica.
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Crédito da imagem: Divulgação / MIT Technology Review Brasil