Inflação da memória distorce a procura real e antecipa compras no setor
Gartner – Dados preliminares indicam que as remessas globais de PCs somaram 62,8 milhões de unidades no 1º trimestre de 2026, avanço de 4% ante igual período de 2025, mas impulsionado por aumento de estoque e não por demanda orgânica.
- Em resumo: Fornecedores correram para comprar antes do “memflation”, enquanto a Apple saltou 12,7% com o MacBook Neo.
“Memflation” pressiona preços e alimenta compras antecipadas
O disparo nos custos de DRAM e NAND, batizado de “memflation”, levou fabricantes e distribuidores a inflar inventários, antecipando-se a reajustes esperados para o segundo trimestre. De acordo com dados compilados pela Bloomberg Technology, o preço médio dos chips de memória subiu quase 30% desde janeiro, encurtando margens de notebooks de entrada.
“O crescimento foi artificialmente inflado pelo aumento de estoque antes de novos reajustes de memória”, resume Rishi Padhi, diretor de Pesquisa do Gartner.
Ranking: Apple avança, HP recua e ASUS entra no Top-5
Entre os líderes, Lenovo manteve a dianteira com 26,5% de participação e alta de 9,5%. Dell também ganhou terreno, mas a HP Inc. perdeu quase cinco pontos percentuais, pressionada pela concorrência de Chromebooks educacionais. Já a Apple registrou o maior salto proporcional (12,7%), puxado pelo MacBook Neo, que combina chip proprietário e foco no público estudantil sensível a preço – estratégia que lembra o movimento da empresa ao lançar o iPad de baixo custo para escolas em 2018.
No pelotão intermediário, a ASUS ultrapassou a Acer e assumiu a quinta posição global, beneficiando-se da linha gamer TUF, cuja demanda permanece resiliente, mesmo em ciclos de troca mais longos.
O que vem a seguir para fornecedores e canal
Analistas preveem que o segundo semestre de 2026 será marcado por ajustes de preço à medida que o estoque inflado precisar ser escoado. Paralelamente, fabricantes estudam introduzir PCs “prontos para IA” com NPUs embarcadas, tendência que pode renovar o ciclo de upgrade em 2027, conforme estimativas da International Data Corporation (IDC). Quem conseguir equilibrar oferta, custo de memória e diferenciação em inteligência artificial deve capturar a próxima onda de crescimento.
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Crédito da imagem: Divulgação / Gartner