Incentivo fiscal de 20 anos muda rota de expansão da companhia
Terranova Data Centers – Diante da demora na definição do regime ReData, a operadora redirecionou seus investimentos para a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Uberaba (MG) e protocolou pedido de acesso a 300 MW de energia, capacidade capaz de sustentar cerca de 210 MW de TI dedicada a cargas de nuvem e inteligência artificial voltadas ao exterior.
- Em resumo: ZPE oferece isenção tributária de até 20 anos, o dobro do previsto no ReData, e atrai projeto hyperscale de bilhões de reais.
Uberaba entra no radar com energia abundante e incentivos
A escolha da cidade mineira não foi casual: o município já mantém ZPE ativa e acesso a linhas de transmissão de alta tensão, condição crítica para data centers de grande porte. De acordo com estudo do Data Center Knowledge, a energia responde por até 60% do OPEX desses empreendimentos, tornando benefícios fiscais e elétricos decisivos na disputa por novos campi latino-americanos.
“A velocidade com que esses projetos vão amadurecer vai ser um pouco diferente do que o potencial que ela teria com o novo arcabouço fiscal”, observou o CEO José Eduardo Quintella.
Mercado brasileiro pressiona por previsibilidade regulatória
O Brasil é hoje o maior mercado de nuvem da América Latina e deve ultrapassar US$ 3,3 bilhões em receita anual de colocation até 2028, segundo a consultoria Arizton. Apesar de dispor de matriz elétrica 85% renovável, a carga tributária de equipamentos importados permanece um entrave. Nesse cenário, as ZPEs surgem como atalho: além de zerar impostos federais por duas décadas, permitem diferimento de ICMS na compra de servidores e sistemas de resfriamento, reduzindo o CAPEX inicial em até 25%.
Para a Terranova, que nasceu para atender hiperescaladores — em complemento à Nextstream, também controlada pelo fundo britânico Actis — a previsibilidade é estratégica. A empresa mantém projetos em Campinas (300 MW) e Praia Grande (450 MW) prontos para avançar assim que o novo marco fiscal sair do papel, mas o CEO admite que “o principal ofensor” continua sendo a tributação comparada à de mercados concorrentes, como Chile e Virgínia (EUA).
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Crédito da imagem: Divulgação / Terranova